San Marino, 1994: o mais negro fim de semana da F-1

Há 25 anos atrás o MAIS NEGRO FIM DE SEMANA da Fórmula 1 começava.

Dia 30 de abril de 1994 foi o sábado reservado para o treino de classificação, no circuito de Imola, que sediaria, no dia seguinte, o GP de San Marino. Mas na sexta-feira um sinal negro já tinha acendido, embora ninguém pudesse esperar que tudo piorasse ainda mais.

Rubens Barrichello sofreu, na sexta-feira, um fortíssimo acidente, e sai machucado

O começo de tudo foi no treino livre da sexta-feira, quando o piloto brasileiro Rubens Barrichello, sofreu um terrível acidente:

Ele pegou a zebra externa, numa das curvas mais fechadas do circuito – a Variante Bassa -, veio derrapando de lado e pegou a zebra interna, que catapultou seu carro, de encontro à barreira de pneus, numa velocidade espantosa – que não foi diminuída em nada. Seu carro voou sobre a barreira e atingiu a cerca de proteção, capotando em seguida. Foi um verdadeiro milagre que Barrichello não tenha morrido nesse espetacular acidente, o único resultado foi uma fratura no nariz e fortes escoriações na boca.

Roland Ratzenberg morreu no treino classificatório de sábado, 30 de abril

Mas a partir desse momento Deus nos deu as costas. No treino de classificação o sinal indelével da tragédia ficou muito pior. Tentando entrar no grid da prova do domingo, com o fraquíssimo carro da Simtek – o correspondente à Marussia de 2014 -, o novato piloto austríaco Roland Ratzenberg, acabou perdendo a funcionalidade do spoiler dianteiro de seu carro, que se soltou, causando um impacto muito forte contra o muro de concreto, existente na Variante Bassa.

O choque arrebentou a parte lateral do carro, expondo o corpo do piloto, que morreu na hora, pois as imagens da TV – embora não tenham pego o choque em si – mostraram que o austríaco não mais se mexia.O sonho de Raztenberger, de correr na categoria máxima do Automobilismo, durou apenas 53 dias.

Foi um terrível choque para todos no paddock em Imola, naquele sábado negro. O próprio Ayrton Senna ficou consternado durante todo aquele fatídico dia.

Mas os sinais não eram bom presságio, de jeito maneira, e a Dona Morte não tinha se saciado ainda, e então ela voltou a atacar no dia seguinte, o dia da corrida. Nesse dia – o 1º de Maio de 1994 -, na sétima volta do GP de San Marino, a Morte atacaria brutalmente de novo!

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Ayrton Senna da Silva, um dos maiores vencedores da F-1

No dia 1º de maio de 1994 o mais negro fim de semana da história da Fórmula 1 enfim terminava, que foi o domingo reservado para o GP de San Marino, no circuito italiano de Imola. E a tragédia finalmente chegava ao seu ápice.

Depois do fortíssimo acidente com Rubens Barrichello na sexta, e da trágica morte do estreante Roland Ratzenberger no sábado, a Dona Morte só levou sete voltas para completar sua tarefa, agora ceifando a vida de um tricampeão.

Foi na Curva Tamburello, que nem curva na verdade era, já que ninguém tirava o pé do acelerador para fazer aquela quase reta, na hora da relargada, e após várias voltas sob bandeira amarela, que algo aconteceu no carro do brasileiro Ayrton Senna.

Uma barra de direção quebrada, ou os pneus frios (já que a prova estava saindo de uma bandeira amarela), ninguém sabe, ou ninguém quis/quer dizer até hoje, e uma absoluta falta de sorte de nosso Ayrton, terminaram com a vida e a carreira de quem é – até hoje – considerado um dos maiores – senão O MAIOR dos – pilotos do automobilismo mundial.

Para efeitos médicos e legais, a morte do maior ídolo brasileiro de todos os tempos ocorreu no Hospital Maggiore, em Bolonha. Para os comissários de pista, pilotos e a equipe médica que o atendeu na pista, ele já estava morto.

Dona Morte tinha, enfim, ganho o seu sujo fim de semana, mas seu preço foi tão alto,  tão absurdo, que ela também perdeu. Os feridos naquele negro fim de semana (Barrichello na sexta-feira, e quatro mecânicos atingidos nos boxes no domingo pela roda traseira direita da Minardi de Michele Alboreto, que se soltou quando deixava os boxes), e os mortos Ratzenberger no sábado e Ayrton Senna no domingo, foram demais, um preço absolutamente inaceitável para todos.

Tanto que a Dona Morte por vinte e um anos não mais logrou seu negro êxito na Fórmula 1. Desde 1994 ela tentou diversas vezes, mas levou mais de vinte e um anos para conseguir levar mais um piloto**. As medidas de segurança implementadas naquele ano e nos anos seguintes, fizeram os carros da categoria os mais seguros do mundo.

Este foi o legado de Ratzenberger, e principalmente o de Senna, a Morte demorou mais de duas décadas para voltor a dar as caras na categoria*, e dezenas de pilotos foram salvos dela, por todas as medidas de segurança tomadas para evitar a repetição daquele inimaginável fim de semana – o mais negro da história da F-1.

— FJPB —

outras matérias de interesse sobre Senna:

» Tributo à Ayrton Senna

» O que os amigos falaram de Senna

» As fotos do acidente e do enterro, a palavra da médica que o atendeu

» A biografia do piloto Senna

» Remendo mau feito na barra de direção causou o acidente com Senna

* na verdade ela voltou por outras três vezes, mas atingiu fiscais e ajudantes  de pista – foram 21 anos sem mortes de pilotos

** em 17 de julho de 2015 ela conseguiu levar mais um piloto, Jules Bianchi, ferido na cabeça num acidente bizarro, de um estupidez incrível, ocorrido no GP do Japão do ano anterior (no dia 5 de outubro de 2014 em Suzuka). Foram 21 anos sem mortes de pilotos

FJPB142

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2 menções

  1. […] Confira mais detalhes do Mais Negro Fim de Semana da Fórmula 1 […]

  2. […] Aquele fim de semana negro, não só para a Fórmula 1, como para os Esportes a Motor, quando dois pilotos morreram na pista de Imola – o novato austríaco Roland Ratzenberg e o brasileiro tricampeão Ayrton Senna –  deixou marcas profundas – em todos os sentidos, até para o bem -, já foi muito discutido, e nosso Blog já publicou um extenso artigo sobre isso. […]

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