Que se dane Ímola-1994

Dias atrás coloquei meu velho videocassete para funcionar. Tudo bem… Em épocas de mídias como DVD e Blu-Ray, tal atitude pode parecer algo obsoleto. Beira o ridículo, talvez. Contudo, queria assistir a uma gravação do Grande Prêmio de San Marino de 1994. Minha meta era acompanhar o que ocorreu nessa prova no campo restritamente esportivo, alheio aos acidentes. Afinal, por razões óbvias, aquele foi um GP que não liguei para o resultado; talvez tenha sido o único em quase duas décadas que acompanho esporte a motor.

Mas é difícil… É difícil não se envolver – e se comover – com as tragédias ocorridas no evento. E olha que já se foram 16 anos daquele fim de semana! Cada entrada do então repórter Roberto Cabrini, para trazer notícias sobre o estado de saúde de Ayrton Senna, resgata o quão doloroso foi esse episódio.

Aliás, há um detalhe na transmissão da prova pela Rede Globo – que não me lembrava, confesso – que chamou minha atenção. Após aquele pavoroso acidente na largada, entre J.J. Lehto e Pedro Lamy, Galvão Bueno soltou: “Tem que pensar positivo, gente. Torcer para que tudo corra bem”.

O narrador parecia prever que mais episódios dramáticos estariam por vir naquela etapa.

Fato é que, embora me recorde de quase nada daquela corrida, lembro muito bem do clima que envolvia aquele Grande Prêmio. Era notável que havia algo estranho no ar.

Hoje, entendo o que era.

A FIA efetuou uma série de alterações no regulamento técnico da Fórmula-1 naquele ano. Além de banir os auxiliares eletrônicos de pilotagem, como o controle de tração, reduziu a largura dos pneus dos monopostos. Os carros ficaram mais ariscos de pilotar. Algo péssimo em qualquer tipo de circuito, mas especialmente às características do antigo Ímola. Uma pista marcada pelo alto índice de desgaste de pneus e setores contornados sob alta velocidade, inclusive a própria curva Tamburello.

Claro que outros fatores foram “determinantes” para os acidentes daqueles dias. No treino da sexta-feira, Barrichello perdeu controle da direção após passar sobre a zebra da curva Variante Baixa. O carro foi lançado à proteção de pneus, violentamente, e ainda capotou por duas vezes.

No treino de sábado, um pedaço do aerofólio dianteiro do Simtek de Roland Ratzenberger soltou-se – fatidicamente na Tamburello; o austríaco virou passageiro do carro, bateu forte no muro da Curva Villeneuve e morreu.

Já quanto a Senna, a teoria mais aceita é a de que o acidente foi causado por conta da ruptura da barra de direção do Williams-Renault pilotada pelo tricampeão.

Enfim, tudo conspirou para que aquele fosse o Grande Prêmio mais doloroso da história da Fórmula-1. Até mesmo se o Ukyo Katayama vencesse, com uma volta de vantagem sobre o Michael Schumacher, ninguém iria reparar. Nada disso importava.

Que se dane o resultado daquele Grande Prêmio! Já coloquei meu videocassete de novo no armário.

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