Porpoising: Causas e Consequências

A causa pode ser resumida em uma apenas: o efeito solo, agora centrado no assoalho do carro, que faz com que a pressão do ar por baixo seja menor que a por cima causando um aumento da pressão.

Na verdade isso já foi usado em temporadas passadas, e era o chamado efeito-solo. O problema é que com a diminuição da altura do carro, em relação ao solo, o que temos é um problema aerodinâmico indesejado.

O downforce, sozinho, é muito desejado pelas equipes, pois traz um maior agarre do carro ao solo, não necessitando de um arraste como o anteriormente conseguido pela asas dianteira e, principalmente, traseira, e com isso ganhando-se velocidade, tanto em retas, como em curvas.

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Só que agora, quando a velocidade do carro sobe, o carro baixa sua altura em relação ao solo, e num certo ponto o fluxo do ar é praticamente cortado, o que faz com que o carro levante um pouco mais, e tudo recomeça indefinidamente – e numa frequência muito alta.

Daí o efeito que os pilotos sentem na pele – e que se percebe facilmente pelas câmeras internas dos carros da Fórmula 1 moderna – é que o carro fica quicando, batendo no solo, subindo, baixando, batendo no solo, e assim por diante, num ciclo que é menor que 1 segundo de duração e causando um efeito no corpo humano bem grave, a curto, mas principalmente, a longo prazo.

O efeito é tão acentuado em alguns carros, que alguns pilotos já estão reclamando muito. No GP do Azerbaijão, com sua enorme reta de cerca de 2,2 km de extensão, a situação piorou tanto que Lewis Hamilton, ao final da prova, teve que fazer várias tentativas para sair do coqpit de seu carro – sofrendo de muitas dores nas costas, não conseguia se levantar de tantas dores.

Para o piloto da Mercedes e diretor da Associação de Pilotos de Grande Prêmio (GPDA) George Russell, é “apenas uma questão de tempo” para que o “perigoso” porpoising cause um acidente sério na Fórmula 1. Ele fez uma solicitação à FIA para analisar em profundidade esse assunto, tentando resolve-lo.

No mesmo fim de semana se tornou público que algumas equipes já tinham conhecimento da possível gravidade desse efeito nos pilotos desde o ano passado, mas acabaram vetando maiores discussões sobre este assunto à época. Assim ficou claro logo antes do GP, que nem todas equipes concordaram anteriormente, nem deveriam concordar em alterar as regras agora.

Isso foi confirmado pelas declarações dos chefes da McLaren e da Red Bull, que são contra uma alteração nas regras. E a razão é bastante clara: para eles está bem assim. Se alterar alguma coisa dará chances às equipes “inimigas” em ter vantagem.

E nesta segunda-feira Pierre Gasly se juntou ao coro dos que reclamam, pedindo que a FIA salve os pilotos de acabar tendo que “usar uma bengala aos 30 anos de idade”.

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Como questão técnica, parece que a solução do porpoising pode ser complexa, entretanto uma medida simples resolveria o problema, de imediato:

Levantar a altura do carro em relação ao solo…

Sim esse problema seria resolvido rapidamente, entretanto os carros ficariam mais lentos, coisa que só aceitariam as equipes mais afetadas hoje, se essa alteração fosse obrigatória para todas as equipes.

Então temos um impasse. E se não for resolvido e um acidente mais grave acontecer? Só então a FIA tomaria providências? (entretanto tardias e a que custo? de uma morte?)

Confira também um extenso artigo técnico sobre as consequências do porpoising nos pilotos, escrito por um médio neurocirurgião espanhol.

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